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Há cerca de 4 anos, flanando pela Savassi na encantadora Belo Horizonte, vi numa vitrine 3 miniaturas em caixas de fósforos que eram inteiramente diferentes de tudo o que eu havia visto até então, no gênero. Embora diminutas e desajeitadamente dispostas em meio a uma profusão de objetos, chamavam a atenção pela singularidade, preciosismo e beleza. Reconheci imediatamente que estava diante de um disfarce.Um artista plástico poderoso, completo, maduro, enviava um sinal de seu rico universo através de um objeto aparentemente banal. Indaguei do que se tratava e ao tê-lo nas mãos li no selo que se encontrava abaixo, o nome Willi Oak, designer. Fiquei ainda mais intrigado: o autor parecia ser irônico. Evidente que não era um designer. E muito menos um artesão. Oak certamente era uma tradução para o Carvalho que deveria ser, deduzi, o sobrenome. Não tendo obtido do lojista qualquer dado adicional, passei a indagar a todos os conhecidos na cidade sobre quem seria o misterioso autor. Ninguém sabia de nada, ninguém havia visto seu trabalho.
Durante muito tempo pensei muito naquelas miniaturas. Investiguei , interroguei, segui todas as pistas ― sem qualquer resultado .
Em uma estada posterior em Belo Horizonte, enquanto acompanhava a visita de um amigo ao artista Mario Zavagli, pus-me a bisbilhotar discretamente na biblioteca do atelier. Foi então que vi, no catálogo de uma exposição de arte popular feita anos antes no Museu da Pampulha, uma miniatura do autor que eu tanto buscava, identificado desta vez como Willi Montes Claros! Radiante, senti que o mistério começava a se dissipar. Eu já tinha em mãos algumas indicações sólidas: o Willi, que possivelmente era Carvalho, devia ser procedente de Montes Claros. O Museu não possuía qualquer outra informação, mas havia uma feira de municípios mineiros naquele momento na capital e certamente haveria algum stand de Montes Claros, importante centro regional do Estado e porta de entrada para o Grande Sertão de Guimarães Rosa. Todas as minhas suposições seriam logo confirmadas: o artista morava na cidade, porém naquele momento estava fazendo outra coisa, “mas se o senhor quiser escrever um bilhetinho eu entrego a ele…”.
Somente dois meses depois ouvi pelo telefone a voz macia, tênue, do Willi, ou melhor, do Welivander de Carvalho, um homem de trinta e poucos anos, muito receptivo aos desafios que eu logo lhe propus. Desde essa memorável ocasião ele não pára de me surpreender.
Não conheço nenhum outro artista em atividade no Brasil, neste momento com fôlego tão grande nem com capacidade de sintetizar um tema com tanta precisão e graciosidade. Usando materiais que qualquer escolar utiliza em suas tarefas – cartão recortado, cola, guache – acrescidos de componentes como lantejoulas, plumas, fragmentos, e praticamente tudo o que possa servir à sua incomum imaginação, ele é um dos artistas mais incrivelmente inventivos que já encontrei. Apreciem.
Senhoras e senhores com vocês Willi de Carvalho, mestre da complexidade e da alegoria, da cor e do movimento, que fez da pequena dimensão sua arte maior.
R. Rugiero (texto de apresentação para a mostra realizada no Shopping Nações Unidas em 2003