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Os países em desenvolvimento têm na vertente popular a porção mais rica de suas culturas. Com o Brasil não é diferente. Formada pela mescla de 3 raças, a cultura popular nacional encanta por sua diversidade e por ser um espelho da exuberância, das tradições e da criatividade do povo brasileiro.
Quem teve a oportunidade de ver a Mostra dos 500 Anos certamente ficou impressionado com o Módulo de Arte Popular, que contou com a irrefutável e competente curadoria de Emanoel Araújo. Foi um fato histórico a reunião de uma coleção de tal magnitude, com ênfase para a pintura, escultura e o artesanato artístico. Não foi por acaso que esse pavilhão atraiu o maior número de visitantes.
Ali estava, pela primeira vez, uma grande síntese do imaginário popular.
O interesse por essa vertente, embora não seja um fato recente, ganha corpo na mesma medida em que a arte contemporânea, dominante no mercado, mostra sinais de esterilidade – e os modernistas se tornam um investimento só para milionários. Tudo leva a crer que a arte popular, por sua dimensão na cultura brasileira, seu percurso histórico e sua grande qualidade, se tornará num futuro próximo, com todas as probabilidades, um filão reconhecido, muito apreciado (inclusive internacionalmente) e, em conseqüência, valorizado.
Nos EUA, o Folk Museum de Santa Fé, Novo México, que abriga a legendária coleção Rozenak, é um surpreendente e gratificante universo artístico. Em Paris, a Fundação Cartier, ao enriquecer sua própria coleção com o acervo do extinto Museu do Homem, reuniu uma das mais notáveis evidências do vigor da arte popular em todo o mundo.
Porém é necessário cautela com um estilo de pintores essencialmente comerciais, produtores em alta escala para um público de baixa exigência, freguês de trabalhos decorativos e adocicados. Em geral são identificados como pertencentes ao universo da autoproclamada “arte naïf “ (sic).
A grande arte popular do Brasil tem a cara do país : ousada e original, irreverente e um pouco selvagem, refinada e rústica.
Dedicando-nos desde 1973 à descoberta e promoção de artistas populares de qualidade excepcional trouxermos alguns nomes para o circuito cultural que hoje são escolhidos pelos colecionadores mais lúcidos. Os escultores Lafaete Rocha, Jadir João Egídio, Anselmo Alves dos Santos, Roberto de Almeida e José Celestino. Os ceramistas Gina Dantas e Tota, o miniaturista Willi de Carvalho. Os desenhistas Cincinho e Zica Bergami. Os gravadores José Costa Leite, Amaro Francisco e Valderedo Gonçalves. E os pintores : Agostinho Batista de Freitas, Nilson Pimenta, Sergio Vidal, Babalú, Adir Sodré, Daisy Grieser, Vitória Basaia, Lícidio Lopes, Ranchinho, Vicente Ferreira, Mirian, Ladário Telles,
J. Coimbra, Irene Medeiros, Vicente Labriola, Geraldo Silva, Descartes Gadelha, Cidinha Pereira e outros.
Esse conjunto de artistas constitui uma das faces mais emocionantes da pintura popular contemporânea do Brasil.
R. Rugiero, 2005 (texto para apresentação nos EUA)