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A ascensão da arte popular

 Em Notícias

“O contrário do belo não é o feio, mas o insignificante”

(Remo Bodei)

O ano de 2000 marca uma virada nos rumos da arte de referência brasileira. A Mostra dos 500 Anos resgatou a auto-estima da nação ao dimensionar a pujança de nossa arte e de nossa cultura. Dentre os 13 módulos da Mostra, 3 lideraram a preferência do público: arte indígena, arte do inconsciente e arte popular.

Com curadoria de Emanoel Araújo, o Módulo de Arte Popular reuniu artistas de todos os quadrantes e destacou, além de pintura, escultura, desenho e xilogravura, um grande número de peças de artesanato artístico, de caráter lúdico, utilitário e religioso.

Essa mostra foi divisor de águas, pois recolocou o conceito de arte popular. Desde o desaparecimento de sua mais aguerrida defensora, Lina Bo Bardi, a arte popular havia saído de foco. Em São Paulo a Galeria O Bode, de Jacques e Maureen Bisilliat, foi seu último baluarte. Em seu lugar ficaram as Lojinhas de aeroporto e os que negociam com a autodenominada “arte naïf” (sic). É impressionante como em nosso meio certos equívocos prosperam, institucionalizam-se na mídia e contaminam até mesmo órgãos competentes, como o SESC, que a cada 2 anos nos brinda, em Piracicaba, com uma abundância de clichês e de água com açúcar – a Bienal de naïfs.

Contudo, há um vento forte começando a soprar em outra direção. Recentemente o marchand César Ache mostrou parte de sua coleção de escultores populares no espaço da Light , no Rio de Janeiro. Emanoel Araújo deixou a Pinacoteca para implantar o Museu do Imaginário do Povo Brasileiro, a ser inaugurado no 2º semestre, um espaço dedicado à cultura e às tradições populares. O crítico Paulo Klein dedica-se a montar uma grande mostra, prevista para julho, que reunirá artistas populares de todo o país no Centro Cultural do Banco do Brasil. O mestre da xilogravura, J.Borges, mostra suas imagens do cordel na França, Alemanha e Estados Unidos. E cada vez mais artistas do povo são apresentados em leilões no eixo Rio/São Paulo.

A arte de nossas raizes começa a atrair não só estrangeiros, mas um público crescente de nativos, agora orgulhosos de sua brasilidade. Além da popular, a arte étnica (a que é realizada pelos povos indígenas) é outra vertente que começa a atrair a atenção de muitos colecionadores.

Há muita gente apostando que, diante do hermetismo da arte contemporânea, o que vai permanecer no futuro é a arte de referência brasileira.

R. Rugiero, 2003